quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Se eu fosse você

Deus não dá asas a cobras. Assim me ensinou minha mãe sobre a vida: cada um tem aquilo que merece- e o que não merece também. Mas, ainda pequena, me perguntei: "Mamãe, por que Deus não dá asas para as cobras?". "Porque elas não saberiam voar", respondeu.

Hoje, ao ler esta notícia, não sei dizer se mamãe estava certa, se Deus está errado ou sei lá mais o quê. A única coisa que eu sei é que se meu nome fosse Ivy mas o meu sobrenome fosse Sarney, minha vida seria muito, mas muito diferente.

Se eu fosse uma Sarney, a primeira coisa que eu faria era continuar no Maranhão: viveria a beira dos belos lençóis maranhenses, com um bando de mucamas para fazer meu suco e arrumar a minha cama, bem longe do trânsito e da fila do supermercado. Aliás, se eu fosse uma Sarney, eu nem saberia o que era supermercado, porque nunca teria entrado em um.

Ou, como boa geminiana que sou, se eu fosse uma Sarney iria me dividir entre minha residências em Roosvelt Island e meu apartamento no sexième. Aliás, se eu fosse uma Sarney, a minha vida seria uma eterna polêmica: passo o verão em La Joya ou em Genève? Vou andar de balão em Napa Valley ou vou apenas curtir um rafting no Grand Canyon? Nossa, é realmente uma dúvida cruel.

Como eu sou superfashion, iria a todos os desflies de todas as temporadas de moda do mundo, teria uma coleção incrível de Birkin Bags (de todas as cores possíveis e imagináveis, incluindo as vintage) e a Stella McCartney saberia o meu nome, afinal, além de Sarney, eu seria sua cliente vip.

E como as fashionistas não só compram, também são politicamente corretas eu também faria eventos beneficentes doando minhas roupas usadas, seria amiga da Bridget Bardot, afinal, nós duas somos amigas dos animais, enfim, seria Ivy Sarney, a bozainha (mas antes uma pergunta: será que é possível ser uma Sarney e ser politicamente correta?).

Enfim, como uma Sarney eu teria tantas opções na vida... poderia fazer cursos em Yale e na UCLA ou simplesmente almoçar todos os dias na Closerie de Lilas na primavera, podendo me estender ao Jardin du Luxembourg sem compromisso com horário...

Ah, tantas coisas para fazer quando se é uma Sarney... por isso não consigo entender como alguém que nasce no berço explêndido da corrupção, que tem tanto dinheiro pode querer perder o seu precioso tempo num gabinete velho, pequeno e com móveis de extremo mal gosto em Brasília enquanto se pode fazer tantas coisas no mundo!O que é um salário de sei lá, 12 mil reais, comparado com uma fortuna acumulada durante uma dinastia política? Ah, e outra coisa: se eu fosse uma Sarney eu definitivamente não namoraria pobre. Eu só iria sair com os herdeiros do Eike Baptista e olhe lá! Onde já se viu isso, namorar um desempregado e ter pedir pro meu avô arrumar um emprego pra ele? Que coisa de loser. Gente, não é só Ivy Farias que delira neste país!

Realmente, Deus sabe o que faz: mesmo dando asas para as cobras, elas insistem em se rastejar.

2 comentários:

Coisas Estranhas Que Só Um Idiota Diz disse...

kkkkkk... Se eu fosse Sarney nunca mais iria esperar a Madonna vir ao Brasil pra poder assistir a um show dela!!!! Eu iria contrata-la para um show particular... Vc é demais gatah!

blogsustentavel disse...

É realmente uma pena que algumas pessoas não saibam aproveitar as coisas boas da vida. Afinal, é o nosso dinheiro, deveria ser bem gasto, oras!

Larissa
www.blogsustentavel.wordpress.com