quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
"Não estamos bem, mas vamos ficar"
Nos prometem que os anos da faculdade serão os melhores anos da sua vida. Quantas pessoas podem ir para a faculdade junto com seu melhor amigo? Aquele irmão, que nasceu e cresceu contigo?! Eu pude. E não foram os melhores, mesmo assim.
Hoje não importa mais. Os anos passaram, nós passamos and the works is done. Mas esta ideia do tempo passar te tira da vida de filha e te coloca na vida adulta. Sua irmã tem filho. E seu irmão também. E a gente vai vivendo.
E morrendo. Esta foi a pior parte da história, da nossa história: morremos. Morremos cedo e deixamos saudades. Tomamos outros caminhos e ficamos cantando loucuras, tipo "garota eu vou para California" mesmo que seu destino seja Boston.
Claro, não estamos bem. Mas, um dia, vamos ficar. Nada a ver com dinheiro, nosso amor e o tempo livre em que vivemos- e escrevemos- uns para os outros. No fim das desculpas, o silêncio. E o fim da nossa era.
Au revoir, mes amis. Je besoin de vous.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Quantos funerais você atendeu este ano, Ivy?
A pergunta do meu irmão me deixou passada quando estava próxima de atender ao quinto, em abril. Nenhum, graças a Deus, era meu amigo. Era amigo do meu pai. Pai da minha amiga. Amigo da minha amiga. Alguém da igreja. Eram quatro, estávamos em março.
Chegou dezembro e a chuva cai. Resolvi desenterrar este blog enquanto espero a noite passar para enterrar o meu amigo. MEU AMIGO. Não é amigo de ninguém. Não vou representando ninguém. Lá vou eu, prestar minha última homenagem para o MEU AMIGO.
Amigo de faculdade. Trocávamos cartas e aspirações literárias. Gostávamos de rir da vida. Eu, para variar, era a única mina. Nós éramos os trutas. Galera louca, do skate. Crescemos juntos. Cada um em seu caminho, mas juntos. Separados, mas juntos.
Não posso dizer que a morte nos separou pois a vida já tinha feito isso há tempos, quando um AVC o colocou em uma UTI. Sinto pelo talento que ele não usou, pelo tempo que ele não viveu.
É normal ir a funerais de outros mas terrível ir aos seus. DO SEU AMIGO. O outro amigo morreu quando estava na Europa. Até hoje não superei. Encontrei o pai dele na Câmara dos Deputados e fingi que não conheci. Não era medo, era tristeza. Não era vazio e sim saudades. Promessas que (ainda) não cumpri. O ano que vem entrego o luto.
Agora é minha vez. Não tenho desculpas e estou tentando dar desculpas para mim mesma. De não ir, pois ele é um menino e menino não morre. Meninos vivem. Every me and every you. Ever me and ever you.
Thank You Lord. I´ve been friends of Osmar. See you in heaven, truta.
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sábado, 12 de julho de 2014
A blog???
Vejo que um amigo querido, o Vizionário, atualiza seu blog.
Blogs ficaram fora de moda?
Por que eu não atualizo o MEU blog?
Afinal, a questão é: por que escrever? Será mesmo necessário se expressar em uma sociedade em que as pessoas, mesmo perto umas das outras, estão longe uma das outras: e de seus discursos. Por que então falar? Escrever perdeu seu sentido em uma vida de 140 caracteres?
sexta-feira, 8 de março de 2013
Uma rosa com amor
Por mais distante que possa parecer das palavras, há um dia em que faço questão de escrever: o 8 de março (os demais é quando bate a vontade, quando precisa). Mas 8 de março não, é o dia de escrever. Não apenas reproduziz clichês sobre o ser mulher e abordar os problemas da desigualdade de gênero- isso também. Porque ser mulher é bom demais.
Me lembrei que era dia 8 quando ganhei uma rosa na sala da OAB do Fórum da Freguesia. A rosa, para mim, não sou como um clichê. Me fez lembrar da minha amiga Rosa, revolucionária desde o ventre. Me fez pensar na Rosa de Luxembourg. Me fez pensar nos nossos espinhos e no nosso perfume, na maciez de nossas pétalas, na nossa vida.
E pensar em rosa me faz lembrar da revolução. Não à toa, é um substantivo feminino (não tinha como ser masculino!). E me lembrei das revoluções da humanidade, sempre com carinho da Francesa pois a Bastille foi meu lar em Paris. Pensar em revolução sem pensar em mulher não é possível, não pelos quadros e as canções, mas é porque somos revolucionárias na essência.
Toda revolução teve mulheres e não há mulheres sem revolução. Todos os dias quando decidimos levantar da cama e criar nosso filhos estamos revolucionando. Quando estamos educando um homem no nosso peito e quando estamos gerando absurdamente novas vidas é uma das maiores revoluções por segundo.
Revolucionamos no ser mulher, no ser mão, no ser profissional. Mas, acima de tudo, estamos sempre revolucionando. Pense em qualquer grande evento e estaremos lá. Infelizmente, a história não escreveu nossos nomes com dignidade que merecemos em seus livros, mas estamos desde o livro Velho Testamento até a criação da Palestina.
Nossa revolução pode ser silenciosa ou barulhenta, mas sempre é revolução. Seja na moda, quando ditamos a elegância, seja quando entramos na frente dos policiais para não atirarem em nossos filhos. Nós não somos as filhas da revolução e nem burguesas sem religião, somos a mãe da revolução, a revolução em nós mesmas.
Cada trabalho, cada eleição, cada opinião de uma mulher conta- e muito. Em tudo somos revolucionárias. E hoje é o dia de ver isso- e se orgulhar também. Porque revolução que se preze traz sempre inova e se renova em si. E sim, somos assim. Revolucion¿arias, com ou sem armas, com palavras ou no silêncio, estamos sempre dispostas a amar e lutar não apenas por nós, mas por eles. Sim, porque nos amamos: e os amamos também.
Não critico o comércio pois ser lembrada e mimada é muito bom e nós também somos filhas de Deus. Somos obra Dele, com nossos espinhos e nosso brilho, nosso cheiro e desejos, a beleza de uma rosa em seus infinitos tons de cores, mas sempre prontos a dar beleza é vida.
Dia 8 de março de 2013, às 23h. Revolução e rosas, nós, mulheres.
Este post é dedicado à minha doce, corajosa, brava e revolucionária amiga Rosa Cantal.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
A Nany
Eu via a Rose Nogueira se deliciando com a vida com um cachorro. Achava o máximo poder fazer parte da vida dela com os animais levando a Baja e o Requinho nas consultas veterinárias, dando um ou outro biscoito... Mas... não há nada que seja um "baratão" maior do que ter o seu próprio cachorro.
Não faltam argumentos para não ter um cachorro, sejam estes que é muito caro, ou trabalhoso ou que o bicho sofre com nossa ausência.
Argumentos para ter um cachorro? Só tenho um: o amor. Não existe nada melhor neste mundo do que ir no mercado e procurar o biscoito pro seu filho. Ou filha.
Este amor é diferente daqueles que se compra em pet shops. Não que eu critique. Tem gente que ama de um jeito contrário do que eu amei todos os meus filhos, o Dólar, a Pauta. E a Nany.
Quando vi a foto da Nany no meu Face, um grande amor nasceu de forma inexperada no meu coração. Nem eu mesma me via pronta para amar. "I Found Love/And didn't know I need it". But I did.
Commo tudo na minha vida, consulto antes o Meu Amor Maior, O Senhor. E foi Dele meu amior incentivo. Tenho para mim, que Deus ama mais os animais, pois Os fez primeiro e Os poupou no Dilúvio. Na Bíblia há passagens que Ele conta a história de Seu infinito amor por estes seres tão especiais. E foi quando Ele me contou que até "os cachorrinhos precisam das migalhas de seus senhores" entendi que a Nany tinha sido criada para mim.
Foi numa segunda ensolarada que ela chegou aqui, assustada pela viagem, pela vida que tinha tido até ser encontrada por uma protetora de animais assistida pelo Cão Sem Fome, projeto que serei eternamente grata e que todos os dias está presente nas minhas orações e no meu coração.
Demoramos dois dias para nos tornarmos melhores amigas. E mais um para sermos mães e filha. Aos poucos, a vida passou a ter mais um sentido, o do amor a minha cachorra. Descobri isso quando fui ao mercado e, de repente, era eu que procurava os bifinhos para minha Nany.
Hoje não tem jeito de levar a vida diferente do que levo: sem minha amiga, companheira, filha, sem minha Nany.
Todos os dias declaro para ela meu amor. "Nany, mamãe te ama demais!". Mas foi meu irmão que viu o jeito que ela mais gosta de ser amada, recebendo carinho na orelha com a cabeça apoiada no meu colo.
No Dia Internacional dos Animais, o desejo mais profundo do meu coração é que todos possam amar um deles assim como eu amo a Nany, minha marrom!
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
O X da questão
Os Direitos Humanos, até então pensados como “caridade” ou “generosidade” fazem parte agora de um debate político em duas corridas eleitorais distintas daqui para frente.
No Brasil, num cantinho da cidade de São Paulo, uma região que até 30 anos atrás era nobre e hoje é chamada de “Crackolândia” tem sido mais do que um bairro com ação policial. De repente, a questão do tratamento dado aos dependentes químicos do crack passou a fazer parte do discurso do pré-candidato à Prefeitura da cidade pelo PT (Partido dos Trabalhadores), Fernando Haddad. Mesmo sem ter anunciado seu candidato, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) também se manifestou a respeito do que pretende fazer na área. Até então abandonada, a “Crackolândia” agora entrou de vez no que será um programa de governo e as propostas para o local têm tudo para serem discutidas amplamente por ele e os demais proponentes ao cargo.
Em 2012, o debate político não se tratará apenas sobre questões econômicas, ambientais, educacionais: todo aquele que quiser entrar em campanha tem que estar preparado para falar sobre o direito de cada cidadão a ter uma condição básica e digna de vida. No caso da “Crackolândia”, o assunto não se restringe apenas sobre o tratamento ou não dos dependentes e sim o direito que todos têm de serem amparados pelo Estado Democrático de Direito como previsto na Constituição.
Mais pro lado de cima do trópico, os direitos humanos também ganham destaque nos debates. Lá, porém, a questão é a tortura. Usado como mote de campanha em 2008 pelo então candidato à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, o fechamento da prisão de Guantánamo, famosa pelas graves violações de direitos humanos e que em 2012 completa uma década de tortura institucionalizada, será sim usado pelos republicanos como mais uma das promessas que o democrata não honrou. Guantánamo não é, naturalmente, a maior preocupação dos americanos (que têm enfrentado a recessão e estou pensando em seus empregos) e não serão as diferentes propostas sobre o assunto que vão definir o curso das eleições. Mas que os candidatos terão que falar sobre isso- e Obama explicar por quê não fechou a prisão- a isso terão.
Enquanto em São Paulo a questão da violência e da tortura foi consequência do abandono pelo Estado, em Guantánamo as mazelas foram impostas pelo Estado, que, como aqui, se diz Democrático- e de Direito! O fato é que estes dois tristes enclaves e suas consequências nas vidas dos seres humanos que por eles passam finalmente agora faz parte de um sério contexto. Ver que as questões legítimas até então tidas como assistencialistas estão sendo pensadas, estudadas e aprofundadas, mesmo que de forma secundária ou terciária, é encorajador. Ver o debate ganhando consistência com argumentos sólidos já é uma grande vitória não apenas para os militantes dos direitos humanos de São Paulo ou dos Estados Unidos da América e sim de toda uma era pós-moderna que passa a pensar em um mundo melhor para todos.
No Brasil, num cantinho da cidade de São Paulo, uma região que até 30 anos atrás era nobre e hoje é chamada de “Crackolândia” tem sido mais do que um bairro com ação policial. De repente, a questão do tratamento dado aos dependentes químicos do crack passou a fazer parte do discurso do pré-candidato à Prefeitura da cidade pelo PT (Partido dos Trabalhadores), Fernando Haddad. Mesmo sem ter anunciado seu candidato, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) também se manifestou a respeito do que pretende fazer na área. Até então abandonada, a “Crackolândia” agora entrou de vez no que será um programa de governo e as propostas para o local têm tudo para serem discutidas amplamente por ele e os demais proponentes ao cargo.
Em 2012, o debate político não se tratará apenas sobre questões econômicas, ambientais, educacionais: todo aquele que quiser entrar em campanha tem que estar preparado para falar sobre o direito de cada cidadão a ter uma condição básica e digna de vida. No caso da “Crackolândia”, o assunto não se restringe apenas sobre o tratamento ou não dos dependentes e sim o direito que todos têm de serem amparados pelo Estado Democrático de Direito como previsto na Constituição.
Mais pro lado de cima do trópico, os direitos humanos também ganham destaque nos debates. Lá, porém, a questão é a tortura. Usado como mote de campanha em 2008 pelo então candidato à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, o fechamento da prisão de Guantánamo, famosa pelas graves violações de direitos humanos e que em 2012 completa uma década de tortura institucionalizada, será sim usado pelos republicanos como mais uma das promessas que o democrata não honrou. Guantánamo não é, naturalmente, a maior preocupação dos americanos (que têm enfrentado a recessão e estou pensando em seus empregos) e não serão as diferentes propostas sobre o assunto que vão definir o curso das eleições. Mas que os candidatos terão que falar sobre isso- e Obama explicar por quê não fechou a prisão- a isso terão.
Enquanto em São Paulo a questão da violência e da tortura foi consequência do abandono pelo Estado, em Guantánamo as mazelas foram impostas pelo Estado, que, como aqui, se diz Democrático- e de Direito! O fato é que estes dois tristes enclaves e suas consequências nas vidas dos seres humanos que por eles passam finalmente agora faz parte de um sério contexto. Ver que as questões legítimas até então tidas como assistencialistas estão sendo pensadas, estudadas e aprofundadas, mesmo que de forma secundária ou terciária, é encorajador. Ver o debate ganhando consistência com argumentos sólidos já é uma grande vitória não apenas para os militantes dos direitos humanos de São Paulo ou dos Estados Unidos da América e sim de toda uma era pós-moderna que passa a pensar em um mundo melhor para todos.
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012
¿ pas de question ?
... Então, algumas questões são:
*Quem foi o gênio que constatou que não devemos ir ao mercado com fome?
*O que aconteceu mesmo com a minha cópia de Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída?
*Como é possível não estar suando...
*... em janeiro de 2012...
*... em São Paulo?
*Por que sempre que temos que ir a algum órgão público, como o DETRAN por exemplo, pensamos em ir logo de manhã sendo que as repartições ficam abertas até às 17h e podemos ir muito bem depois do almoço?
Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead.
Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead. Lead.
P.S.: Cara, o parágrafo acima foi escrito sem o uso do recurso copy and paste. Tipo, na raça mesmo. E ça c'est pas de question.
*Quem foi o gênio que constatou que não devemos ir ao mercado com fome?
*O que aconteceu mesmo com a minha cópia de Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída?
*Como é possível não estar suando...
*... em janeiro de 2012...
*... em São Paulo?
*Por que sempre que temos que ir a algum órgão público, como o DETRAN por exemplo, pensamos em ir logo de manhã sendo que as repartições ficam abertas até às 17h e podemos ir muito bem depois do almoço?
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P.S.: Cara, o parágrafo acima foi escrito sem o uso do recurso copy and paste. Tipo, na raça mesmo. E ça c'est pas de question.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Um dia

Pelo que andei lendo na internet, o hit entre as patricinhas, quer dizer, it girls do momento, é um livro/filme sobre um casal que se reencontra todo ano no mesmo dia. Não mais criativo, o título é "Um Dia" e, segundo a crítica (como se a crítica fosse alguma coisa), ambos são bons.
O que eu resolvi usar o conhecimento da faculdade de jornalismo para fazer este nariz de cera (como se nariz de cera fosse, já que isso não é matéria, é um post- ei leitor, blog errado!) para justificar o título. As mocinhas encantadoras ficam preocupadas em passar um dia com o homem mais importante do resto de suas vidas sem se dar conta que, muitas vezes, passam.
O homem mais importante do resto da sua vida é aquele que, no caso, é único e insubistitível de forma mais surpreendente do universo. Funciona assim: sem se dar conta, num piscar de olhos, ele está lá, para te ajudar. Chega de longe num táxi branco, trazendo toda a parafernália eletrônica- se você der sorte, em alguns casos, com uma trilha sonora impecável- e com toda a disposição do mundo que só o amor é capaz de dar.
Ali, naquele momento, aquele homem de 1,80m não se parece nem um pouco com o feto ainda informe que fora formado no ventre de sua mãe. Não lembra em nada aquele coraçãozinho que se ouvia de longe pelo ultrasson e que logo depois se transformou num bebê que adorava papinha de beterraba.
Você olha e vê que aquele que está ali não é o mesmo menino que tinha medo do irmão mais velho com uma panela na cabeça imitando o Robocop, nem o talentoso aluno que fez uma escultura de coelhinho sozinho em um pedaço de sabão. Com um olhar mais atento e apurado, você nota, bem de longe, que aquele moleque que fuçava nos seus CDs de rock tem um gosto musical parecido com o homem que está sentado ao seu lado.
Com mãos habilidosas e uma destreza única, ele resolve tudo de maneira impecável- "Não, não pode ser!", penso comigo mesmo. “Será que é ele mesmo?". Sim, é. O profissional talentoso, rápido, prestativo e eficiente cujos honorários eu não teria condição de pagar é aquele mesmo pequeno da Silva da cama ao lado. Meu irmãozinho, quem diria, abriu mão de um dia das suas férias em movimentada agência de publicidade de São Paulo para me ajudar. O homem mais importante da minha vida hoje é o meu irmão caçula.
Dentre todas as coisas que pensamos quando recebemos a notícia de que ganharemos um irmãozinho, algumas delas são brincar, cuidar, choro, vela, tudo, menos que, um dia, você vai trabalhar ao lado dele. E é inimaginável pensar que o trabalho pode ser tão bom, afinal, quem vai olhar pra cama ao lado e ver um profissional de sucesso? Pô, ele é meu irmão.
Revisando um pouco a matéria, vejo que na minha parca biografia há pequenas coisas de que posso me orgulhar na vida. Já viajei o mundo inteiro, entrevistei os Foo Fighters na borda do Sena, fui mesária voltuntária e tantas outras coisas mais que valeram a pena. Das lembranças que me ocorrem agora, ter passado fome para que ele se desenvolvesse e viesse a este mundo de maneira saudável foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Obrigada, Senhor pela graça atendida: meu irmão, Felipe Chaves.
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Criai por nós
Se me contassem, eu não acreditaria. Parece crônica, mas realmente faz frio em São Paulo em dezembro. Também parece coisa de crônista dizer que o Corinthians ganhou de novo o campeonato brasileiro mas não chegou nem perto da Libertadores. Parece mais ainda receber ligação de uma pessoa com pouco capital de giro sem ser a cobrar. De repente, você olha pela janela do ônibus e tudo parece uma grande ficção, a começar pelo seu (quase) emprego banal e o constante culto à mediocridade, que faz você ver economia no amor e vice-versa.
Pois bem, me contaram e mesmo assim eu não acreditei que já tivemos tempos de cólera no Brasil, mas o ódio não deixou os nossos corações que atacam uns aos outros gratuitamente. O que eu acredito é que secretárias sérias se chamam dona Laura e que há de haver sim um Welligton hetero para cada uma de nós. E não deixo de crer que sim, há lugar para sonhos. E mais: há muitos delírios insanos soltos por aí, como que suplicando para serem escritos, prensados, postados. Então, sendo assim, eu escrevo, creio e crio por nós, amém!
Pois bem, me contaram e mesmo assim eu não acreditei que já tivemos tempos de cólera no Brasil, mas o ódio não deixou os nossos corações que atacam uns aos outros gratuitamente. O que eu acredito é que secretárias sérias se chamam dona Laura e que há de haver sim um Welligton hetero para cada uma de nós. E não deixo de crer que sim, há lugar para sonhos. E mais: há muitos delírios insanos soltos por aí, como que suplicando para serem escritos, prensados, postados. Então, sendo assim, eu escrevo, creio e crio por nós, amém!
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sexta-feira, 3 de junho de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
sábado, 21 de maio de 2011
O Brasil mostrando a sua cara

O autor é o mesmo. Os atores são os mesmos. A trilha sonora e o encerramento das cenais finais são os mesmos. Mas o Brasil... quanta diferença! Hoje o telespectador pode ver dois países diferentes na TV: de um lado, Vale Tudo (1988) e, do outro, Insensato Coração (2011), ambas de autoria de Gilberto Braga, conhecido como retratista da realidade brasileira corrente.
Se em Vale Tudo, exibida pelo canal Viva na TV a cabo, a jovem protagonista de Glória Pires, Maria de Fátima, sonhava com a Europa, em Insensato Coração a igualmente mocinha Marina interpretada por Paola Oliveira troca Milão pelo Rio de Janeiro em busca de um promissor mercado para o seu escritório de design.
Com Antonio Fagundes a mudança foi ainda mais brusca nestes 22 anos: de funcionário ele se tornou um self made man, homem que fez a própria sorte como empresário. Os diálogos em inglês e em francês dos vilões de Vale Tudo, sempre regados a whisky e foie gras, foram substituídos pelo cozido e a cerveja em um bar na Lapa durante um encontro romântico dos mocinhos.
Fica claro as diferentes realidades econômicas e sociais dos brasileiros. As mudanças são evidentes: ao invés de começar a contar a história em outros países, recurso tão recorrente da dramaturgia brasileira, Gilberto Braga viaja para Florianópolis no começo da segunda década dos anos 2000.
No Brasil de 88, os personagens fumam, soltam o verbo e falam os mais abusados impropérios, como “que horror é descer no Galeão e ver a Ilha do Governador”. Agora, na era do politicamente correto, até na ficção está a campanha pela prática de esportes e uma vida saudável.
Fica até divertido imaginar como se comportariam as criaturas de Gilberto Braga nestes diferentes cenários. Seria possível visualizar a ex-participante de um reality show como a Natalie Lamour de Deborah Secco dando entrevista para a engajada repórter vivida por Lídia Brond na revista Tomorrow? Aliás, fica praticamente impossível pensar em um perfil de uma figura destas em uma publicação alto nível como a dirigida pelo jovem cheio de idéias de Marcos Palmeira, o redator Mario Sergio.
O mais interessante, entretanto, é ver nitidamente como a economia brasileira cresceu e se fortificou até mesmo na telenovela. Em Vale Tudo, a mocinha desempregada interpretada por Regina Duarte tem que se virar vendendo sanduíche na praia para sobreviver. Viajar para os Estados Unidos era coisa de muito rico, como Odete Roittman, dona de uma companhia aérea.
Em Vale Tudo, as tramas são baseadas na ascensão social dos personagens- alguns por vias éticas, outros nem tanto. Os conflitos, ao contrário da maioria das novelas, não são de natureza puramente amorosa e sim moral. Hoje, com o país em franca expansão econômica, ninguém mais quer ver a luta de um filhinho de papai tentando se encaixar na empresa da família: agora que o pão é farto na mesa, o brasileiro quer ver mesmo quem fica com quem.
Seja às oito ou às nove, Gilberto Braga continua sendo expert em responder a uma velha questão: afinal, que país é este?
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sexta-feira, 20 de maio de 2011
Driving on the Memory Lane
Como é (ou não) conhecimento de todos, daqui a exatos 30 dias eu faço 30 anos. Quando se tem 30 anos e não é presidente de multinacional, doutora em Harvard ou na Sourbonne, tem um marido, uma penca de filhos (vai, pelo menos um) você realmente começa a ser sabatinada com perguntas do tipo: "Não casou por quê?" ou "Você não apresenta o Jornal Nacional, deve ser um horror sua vida, não?". E para que ninguém me encha o saco com esta história de 30 anos eu mesma vou começar a encher o meu próprio saco publicamente neste espaço com esta história de ter 30 anos nos próximos 30 dias.
CENA 1. Int. Noite. Telefone toca e AMIGO VIZIONARIO está do outro lado da linha.
AMIGO VIZIONARIO: Oi, você me ligou?
IVY: Liguei sim, para pedir dinheiro, você tem para me dar?
AMIGO VIZIONARIO: Não, não tenho, mas como anda a vida por sinal?
IVY: Tá bem, aliás, eu voltei a escrever no meu blog.
AMIGO VIZIONARIO: Vou voltar a ler o seu blog, então.
IVY: Ah, falando nisso, adorei o seu post Thirty Tomorrow.
AMIGO VIZIONARIO: Pois é, 30 anos.
IVY: Ah, não fica assim, daqui a um mês será a minha vez de fazer 30 e eu nem tô ligando. E olha, vou te falar uma coisa: você não tem o menor direito de ficar reclamando da vida porque você tem 30 anos e é homem, pior sou eu que até hoje fui enquadrada na categoria de sei lá o que e, a partir do mês que vem, vou estar na categoria das femmes de 30.
AMIGO VIZIONARIO: Nossa, é mesmo, em um mês você será balzaciana, dizem que esta é a melhor idade da mulher, que ela está mais exuberante e...
IVY (cortando): Ah, meu bem, qualé? Pra cima de moi com este papo? Você tem é que ficar se auto-elogiando, dando graças a Deus pelo fato de não terem escrito nenhum livro estúpido com um título destes, que provavelmente você vai ganhar de aniversário e, pior, muito pior, vão te cobrar que leiam enquanto eu prefiro ler coisas mais importntes, como as tirinhas dos Peanuts.
AMIGO VIZIONARIO: Se você quer pensar assim então...
IVY: E eu tenho outra alternativa?
O assunto muda para as novas diretrizes políticas do Brasil, emprego e comida. Fade out.
CENA 1. Int. Noite. Telefone toca e AMIGO VIZIONARIO está do outro lado da linha.
AMIGO VIZIONARIO: Oi, você me ligou?
IVY: Liguei sim, para pedir dinheiro, você tem para me dar?
AMIGO VIZIONARIO: Não, não tenho, mas como anda a vida por sinal?
IVY: Tá bem, aliás, eu voltei a escrever no meu blog.
AMIGO VIZIONARIO: Vou voltar a ler o seu blog, então.
IVY: Ah, falando nisso, adorei o seu post Thirty Tomorrow.
AMIGO VIZIONARIO: Pois é, 30 anos.
IVY: Ah, não fica assim, daqui a um mês será a minha vez de fazer 30 e eu nem tô ligando. E olha, vou te falar uma coisa: você não tem o menor direito de ficar reclamando da vida porque você tem 30 anos e é homem, pior sou eu que até hoje fui enquadrada na categoria de sei lá o que e, a partir do mês que vem, vou estar na categoria das femmes de 30.
AMIGO VIZIONARIO: Nossa, é mesmo, em um mês você será balzaciana, dizem que esta é a melhor idade da mulher, que ela está mais exuberante e...
IVY (cortando): Ah, meu bem, qualé? Pra cima de moi com este papo? Você tem é que ficar se auto-elogiando, dando graças a Deus pelo fato de não terem escrito nenhum livro estúpido com um título destes, que provavelmente você vai ganhar de aniversário e, pior, muito pior, vão te cobrar que leiam enquanto eu prefiro ler coisas mais importntes, como as tirinhas dos Peanuts.
AMIGO VIZIONARIO: Se você quer pensar assim então...
IVY: E eu tenho outra alternativa?
O assunto muda para as novas diretrizes políticas do Brasil, emprego e comida. Fade out.
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30 to 30's,
Roteiro da Vida Real
Etiqueta sentimental online
Eu li uma vez na Capricho que não tinha coisa pior no mundo que uma garota poderia fazer no quesito paquera online do que ficar entrando e saindo do MSN várias vezes para chamar a atenção do gajo. Assim, não teria como ele não ver que você estava online e ele seria obrigado a falar com você, nem que fosse para perguntar se tinha algum problema com a sua conexão.
(Foi aí que eu constatei duas coisas, uma boa e uma ruim: a boa era que eu não era a única no mundo a fazer isso e a ruim é que provavelmente as pessoas que fazem isso no mundo são adolescentes e de nada adiantou você viver três décadas já que continuo com um pensamento juvenil no que diz respeito aos homens).
Tudo bem, passa o tempo e, um dia, você se encontra do outro lado da tela, desta vez como uma pessoa que está escrevendo no seu blog e vê que o único homem que você foi capaz de amar no mundo- e ainda ama- está entrando e saindo do MSN a cada doze minutos (aproximadamente).
Questão da OAB-04/2011. Diante destas circunstâncias e analisando o conteúdo e forma da publicação citada você conclui que:
a) Ele está agindo do mesmo jeito que você para chamar a sua atenção (logo tem um raciocínio de garoto de 20 anos);
b) A conexão dele realmente tem um problema;
c) Ele está agindo do mesmo jeito que você para chamar a atenção de outra (mesmo que sejam 2h06 da manhã e as pessoas normais, coisa que você definitivamente não é, dormem à noite então ele só pode estar tentando chamar a sua atenção).
d) Ele está agindo do mesmo jeito que você para chamar a sua atenção e portanto vai falar com ele, perguntando qual o servidor que ele usa, já que você constatou que a conexão dele realmente tem problemas e você, que estava pensando em mudar de servidor, não quer contratar um fornecedor como este de jeito nenhum!
e) NDA.
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Imagem não é nada
Cena 1. Int. Noite. Sala da casa da AMIGA INTELECTUAL 1. IVY, AMIGA INTELECTUAL 1 e AMIGA INTELECTUAL 2 estão conversando sobre assuntos intelectuais e a TV está ligada. AMIGA INTELECTUAL 1 começa a trocar de canal. IVY vê Luciana Gimenez na telinha.
IVY: Nossa, ela voltou?
AMIGA INTELECTUAL 2: Voltou de onde? Ela tinha saído?
IVY: Ela tava de licença-maternidade.
AMIGA INTELECTUAL 1: Olha, o Bolsonaro!
Um constrangimento absurdo toma conta da sala. Silêncio. Todas olham para TV visivelmente constrangidas. AMIGA INTELECTUAL 1 quebra o gelo:
AMIGA INTELECTUAL 1 (sem graça, mas com voz no tom de que TEM QUE DIZER) : Até que este Bolsonaro é gatinho...
IVY: Tirada as circunstâncias até que ele daria um bom caldo...
AMIGA INTELECTUAL 1: Eu mesma não conhecia o rosto dele, só lia as coisas pela internet, né? Não sabia que ele era assim.
AMIGA INTELECTUAL 2: Eu também não.
IVY: Nem eu.
AMIGA INTELECTUAL 1: Ouvi dizer que estes homens do Exército hoje estão, vamos assim dizer, bem mais gostosos...
AMIGA INTELECTUAL 2 e IVY (em coro): O que, ele ainda por cima tem farda?!!
Grandes risadas sem-graça tomam conta da sala afinal, quem diria, três intelectuais ao invés de discutirem as questões do país, ficam falando que a figura mais polêmica do Twitter é um gato! E ainda tentam imaginar com a farda! Que absurdo!
Sem farda...

E com farda...

IVY (pensando): Se as intelectuais pensam assim, como será que as nãos intelectuais pensam? Será que elas também acham que o Bolsonaro daria um bom caldo? E mais: será que elas também tem um pouco de vergonha de achar isso?
IVY: Nossa, ela voltou?
AMIGA INTELECTUAL 2: Voltou de onde? Ela tinha saído?
IVY: Ela tava de licença-maternidade.
AMIGA INTELECTUAL 1: Olha, o Bolsonaro!
Um constrangimento absurdo toma conta da sala. Silêncio. Todas olham para TV visivelmente constrangidas. AMIGA INTELECTUAL 1 quebra o gelo:
AMIGA INTELECTUAL 1 (sem graça, mas com voz no tom de que TEM QUE DIZER) : Até que este Bolsonaro é gatinho...
IVY: Tirada as circunstâncias até que ele daria um bom caldo...
AMIGA INTELECTUAL 1: Eu mesma não conhecia o rosto dele, só lia as coisas pela internet, né? Não sabia que ele era assim.
AMIGA INTELECTUAL 2: Eu também não.
IVY: Nem eu.
AMIGA INTELECTUAL 1: Ouvi dizer que estes homens do Exército hoje estão, vamos assim dizer, bem mais gostosos...
AMIGA INTELECTUAL 2 e IVY (em coro): O que, ele ainda por cima tem farda?!!
Grandes risadas sem-graça tomam conta da sala afinal, quem diria, três intelectuais ao invés de discutirem as questões do país, ficam falando que a figura mais polêmica do Twitter é um gato! E ainda tentam imaginar com a farda! Que absurdo!
Sem farda...

E com farda...

IVY (pensando): Se as intelectuais pensam assim, como será que as nãos intelectuais pensam? Será que elas também acham que o Bolsonaro daria um bom caldo? E mais: será que elas também tem um pouco de vergonha de achar isso?
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
O Bonde do Tigrão
Cena 1. Nancy (França). Dia. Int. Duas amigas conversam dentro do carro.
AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA: Ivy, você vai querer me visitar no trampo amanhã?
IVY: Vou, como eu faço para ir?
AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA: Pega o bonde lá perto de casa e desce no ponto final.
IVY: Bonde? Como assim bonde, menina? Tá doida?
AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA: Ivy, a doida aqui é você. Você pegou o bonde ontem e ele não estava andando que eu vi.
IVY: Ah? Ontem? Não, ontem eu peguei o tram pra ir pra sua casa.
AMIGA BRASILERA QUE MORA NA FRANÇA: Ivy, tram é bonde, bonde é tram. Você não fez a tradução simultânea porque, na sua cabeça, bonde são aqueles dos contos do Machado de Assis. Como no Brasil acabaram os bondes, você não viu a evolução deles e por isso não reconheceu o tram como bonde.
IVY (meia zonza): Ah?
AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA: Ivy, o Santos Dummont não inventou o 14 Bis?
IVY (com cara de quem não entendeu): Sim.
AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA (procurando um papel para desenhar): Então, mas você não veio de 14 Bis pra cá, certo? E o 14 Bis não deixa de aer avião, assim como o Airbus. O mesmo aconteceu com o bonde, ele evoluiu e ficou deste jeito que é hoje. Mas o tram é mesmo um bonde, acredite em mim!!!
IVY: Tá bom.
Cena Dois. Nancy (França). Ext. Dia. IVY está andando na rua para pegar o tram, que ela ainda não acredita ser o bonde. Olha no ponto e vê uns ferrinhos no asfalto.

IVY(pensando): Seriam trilhos?
IVY pensa mais um pouco e escuta uma campainha soando ao longe. Olha pro alto e vê os dois ferrinhos no alto do tram.

IVY (pensando): Meu Deus, é mesmo um bonde!!!!!
IVY (ainda pensando): Eles eram assim...

Lisboa, Portugal
IVY (continua pensando): E ficaram assim! Como foi que eu não percebi antes?

Genebra, Suíça
IVY fica pensando que é muito triste não ter mais bondes no Brasil e que sua AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA poderia ter lhe poupado um pouco e não contar que o bonde do Machado de Assis agora é o tram. Como ela vai imaginar os contos Machadianos agora? Delírios?
PSC: Não tirei fotos dos bondes franceses porque fiquei muito chocada com a informação. Mas os bondes franceses são iguaizinhos aos da Suíça que aparece nas fotos.
AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA: Ivy, você vai querer me visitar no trampo amanhã?
IVY: Vou, como eu faço para ir?
AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA: Pega o bonde lá perto de casa e desce no ponto final.
IVY: Bonde? Como assim bonde, menina? Tá doida?
AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA: Ivy, a doida aqui é você. Você pegou o bonde ontem e ele não estava andando que eu vi.
IVY: Ah? Ontem? Não, ontem eu peguei o tram pra ir pra sua casa.
AMIGA BRASILERA QUE MORA NA FRANÇA: Ivy, tram é bonde, bonde é tram. Você não fez a tradução simultânea porque, na sua cabeça, bonde são aqueles dos contos do Machado de Assis. Como no Brasil acabaram os bondes, você não viu a evolução deles e por isso não reconheceu o tram como bonde.
IVY (meia zonza): Ah?
AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA: Ivy, o Santos Dummont não inventou o 14 Bis?
IVY (com cara de quem não entendeu): Sim.
AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA (procurando um papel para desenhar): Então, mas você não veio de 14 Bis pra cá, certo? E o 14 Bis não deixa de aer avião, assim como o Airbus. O mesmo aconteceu com o bonde, ele evoluiu e ficou deste jeito que é hoje. Mas o tram é mesmo um bonde, acredite em mim!!!
IVY: Tá bom.
Cena Dois. Nancy (França). Ext. Dia. IVY está andando na rua para pegar o tram, que ela ainda não acredita ser o bonde. Olha no ponto e vê uns ferrinhos no asfalto.
IVY(pensando): Seriam trilhos?
IVY pensa mais um pouco e escuta uma campainha soando ao longe. Olha pro alto e vê os dois ferrinhos no alto do tram.
IVY (pensando): Meu Deus, é mesmo um bonde!!!!!
IVY (ainda pensando): Eles eram assim...
Lisboa, Portugal
IVY (continua pensando): E ficaram assim! Como foi que eu não percebi antes?
Genebra, Suíça
IVY fica pensando que é muito triste não ter mais bondes no Brasil e que sua AMIGA BRASILEIRA QUE MORA NA FRANÇA poderia ter lhe poupado um pouco e não contar que o bonde do Machado de Assis agora é o tram. Como ela vai imaginar os contos Machadianos agora? Delírios?
PSC: Não tirei fotos dos bondes franceses porque fiquei muito chocada com a informação. Mas os bondes franceses são iguaizinhos aos da Suíça que aparece nas fotos.
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terça-feira, 17 de maio de 2011
Há vagas

Tenho visto, com uma certa frequência, muitas pessoas que já passaram dos 60 e não pararam de lutar. Aqueles amigos de 68 ainda estão por aí, com a corda toda, lutando pelo que acham certo.
Do outro lado vejo um bando de jovens assistindo à novela do SBT dizerem que o Brasil bom era o daquela época, porque os jovens tinham uma causa para lutar. Como assim, tinham? Quem disse que hoje não tem mais?
Semana passada um grupo de velhinhos que participaram da Resistência Francesa foi às ruas para falar com os jovens, dizendo que a guerra, ao contrário do que se pensava, não tinha sido ganha. Havia muita batalha a travar e, por batalha, eles consideravam, entre outros o aquecimento global. Quer dizer, os velhinhos que combateram Hitler estão mais preocupados com o aquecimento global do que os jovens.
Fiquei pensando nisso tudo e cheguei à conclusão que há sim vagas para todo aquele que quer lutar. Lutas, infelizmente, não faltam e nunca acabam. Há os maus tratos e testes em animais, preço alto da passagem, mais ética na política, melhor atendimento médico e, a minha favorita de todas, o amor.
Sim, para mim o amor é uma luta e eu luto diariamente por aqueles e por aquilo que eu amo. Olhando pro mundo hoje, sinto falta daqueles que lutam por seu amor, seja amor à vida, ao namorado, o próximo. Qualquer briguinha e pumba, já se desiste da potencial cara metade. Amor é uma luta sim, luto para amar e continuar sendo amada.
Nos ideais românticos, nos livros, filmes e séries de TV o amor é tido como uma coisa espontânea e é mesmo. Ele pode até nascer espontâneamente mas para sobreviver precisa de luta diária, contínua, constante. E o que acho mais legal do amor que ele serve para todo mundo, em todos os casos é útil.
Recebi estes dias um e-mail do meu tio, que é pastor, falando que o amor é uma coisa tão simples de ser seguida e que as pessoas complicam (se ele não sabe por quê, como eu vou saber?). Achei que ele tinha razão afinal o amor que ele citou, o cristão, pode ser usado em judeus, mulçumanos, brancos, negros sem qualquer contra-indicação. Simplesmente é amar e ponto. Quando temos amor abundante nos nossos corações, a paciência, a tolerância, a alegria, tudo é consequência. Vale a pena esperar pelo amado porque você sabe que o amor é bom, pronto. O amor é uma luta que vale a pena. Ele dá gosto em tudo. Lutar por amor é muito mais interessante do que receber de bandeja.
E o amor tem gosto para tudo, dá gosto em tudo. Paulo que me desculpe, mas quando ele diz que o "amor tudo suporta" para mim é aquele amor que dá suporte a tudo, aquele que cabe tudo, até o que aos nossos olhos parece impossível, mas para o nosso coração não já que no amor tudo é possível.
No amor é possível se amarrar em árvores para que a floresta não seja derrubada, acordar cedo e atravessar o Brasil para realizar um pedido de uma pessoa Amada, é trabalhar com vontade de fazer um mundo melhor. No amor tudo somos, tudo podemos, tudo cremos, até no desarmamento e no fim da mão de obra com condição análoga à escravidão.
No amor há uma causa para tudo e todos. Basta se alistar.
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