segunda-feira, 8 de março de 2010

Já que não dá para fugir da data IV

Eu não sou muito apegada a tradições. Mas se tem uma que eu tenho seguido é escrever neste blog sobre algum tema relacionado à mulher no Dia Internacional da Mulher. Em 2008, falei de como era difícil aprender a ser mulher e sobre como as mulheres eram muito competitivas e, na maioria das vezes, invejosas (já reparou como a publicidade usa a expressão "matar as amigas de inveja?" Eu não entendo para que matar as amigas e para que matar de inveja). No ano passado, eu falei que todas as conquistas que tivemos serviu apenas para nos dar opções de roteiros e não de obrigações: hoje nós podemos nos dar o luxo de sermos mocinhas e vilãs, com direito a ser autora de novela. E hoje eu pensei no que escreveria aqui: são tantas questões, violência contra a mulher, a participação da mulher no mercado de trabalho, a participação política, a falta de liquidações nesta época do ano (não é um absurdo que a gente não ganhe nem um descontinho?). E aí pensei em um tema que acho que ninguém fala no dia internacional da mulher: o homem.

Nós não somos sozinhas neste mundo. Eles, também conhecidos como vilões por ganharem mais que a gente e não ligarem no dia seguinte (salvo exceções), são os grandes responsáveis por todas as questões levantadas nesta data? Violência contra a mulher, por exemplo. Sim, é o homem que bate (e as pesquisas indicam que as maiores violências no ambiente doméstico não é mais por conta de relacionamentos amorosos e sim consequência do uso de drogas- o filho, surtado, bate na mãe, na avó, na irmã...). E o machismo? Quem é que fica desrespeitando o nosso espaço, dando cantadas horrorosas em pleno ambiente de trabalho, achando que somos todas "fáceis"? Os homens! E quem é que não traz bombom e flores? Eles, claro.

A minha pergunta neste meio todo é uma só: a minha mãe diz que as pessoas só fazem com a gente o que a gente deixa. Será mesmo? Eu vejo amigas sofrendo assédios fortissimos no ambiente de trabalho que nunca deram a menor ousadia. Vejo milhares de mulheres apanhando sem terem a menor culpa. E vejo que hoje, que era um dia importante para conscientizar o homem, a gente vê as mesmas propagandas e as mesmas matérias de sempre- todas para nós, nenhuma para eles.

Eu li uma vez que a única maneira em que uma mulher sucede bem ao tentar mudar um homem é quando ela está criando. Lembro da minha amiga Neila, que descobriu que esperava um menino e me deu a notícia garantindo que iria criar um homem digno, "que trate bem as mulheres que nem o pai dele". E fiquei me perguntando por que todas nós não passamos, a partir de agora, a conscientizar os nossos pais, amigos, filhos e namorados? Vai desde ensinar a não deixar a toalha molhada em cima da cama até a escrever e-mail dizendo que sim, você gosta de flores e bombons e ligações carinhosas. E, hoje, a minha reflexão do dia internacional da mulher é que nós passemos a olhar com mais atenção para os nossos homens, para, assim, mudar um pouco este estranho mundo em que vivemos. Quem sabe assim ganharemos um pouco mais, apanharemos menos (ou melhor, não apanhemos) e sejamos todos, homens e mulheres, mais felizes?

Feliz Dia Internacional das Mulheres para todas.

Um comentário:

Mãe de primeira viagem disse...

Vou fazer isso mesmo!
Pode me cobrar em 20 anos se meu João Ricardo não será um gentleman que sabe respeitar uma mulher, independente de quem ela seja.
Eu prometo!
beijos