quinta-feira, 11 de março de 2010

30 is the new black



Eu acho que foi em 1978 que o IBGE (sorry, não vou explicar aqui a sigla, to de folga) mostrou, com base em uma série de dados completamente estatísticos, que o brasileiro vivia, em média, 65 anos. Naquele tempo, era normal um homem morrer com 45 anos. Velhinhos eram aqueles que tinham mais de 55 anos. A vida era um tédio mesmo. Não sei se fizeram alguma coisa com a água, mas o fato é que nós, brasileiros, passamos a viver mais. Bem mais. A nossa expectativa de vida praticamente dobrou, a média hoje é 80. Com 55 anos, as pessoas estão trabalhando a todo vapor. E, com 65 anos, as pessoas não tem nada de velhinhas (eu entrevistei um grupo de senhoras esta semana, não vou revelar a idade, porque não sou mal educada, mas eram todas bonitas, bem arrumadas e não aparentavam a idade- e trabalhavam, claro). A sociedade mudou e com ela os costumes sociais.

Será? Hoje, ao fim dos 28 anos, a sociedade me cobre que com 30 anos eu tenha:

a) uma carreira hiper ultra mega bem sucedida- o que eu não tenho (basta ver o meu holerite)
b) um MBA- que eu também não tenho
c) um marido- não vou nem comentar
d) um bebê- que eu também prefiro não comentar

Há 20 anos, era natural que a sociedade impusesse estas condições para os brasileiros e brasileiras, já que todos viviamos até uns 60 anos. 30, logo, era metade, portanto era importante ter feito metade da vida. Mas hoje...hello, 30 é o novo 20! Isso porque as pessoas estão demorando mais para morrer, o que significa que ainda tem muita coisa para ser feita e aos jovens que estão entrando na vida apenas acompanhar meio que de escanteio o movimento das coisas.

Com 30 anos é impossível ser o diretor da empresa em que se trabalha simplesmente porque o diretor, que tem 60, ainda não largou o osso e continua trabalhando. Fica praticamente impossível ter um marido e um bebê aos 30 porque como você não é diretora da empresa, você não tem dinheiro suficiente para sair da casa dos seus pais e pagar um apartamento e todas as contas mais (a menos que se queira viver na pindaíba, o que ninguém quer). Em resumo, ter 30 anos em 2010 é praticamente a mesma coisa que ter 20 em 1980: você está começando a vida.

E se 30 é o novo 20, qual seriam então os novos 30? Pela matemática pura e simples, seria o 40, mas ai com 40 aparecem novas pressões, que eu não faço a menor idéia de quais são porque eu ainda tenho 18 (estas contas básicas e úteis eu sei fazer) e não sei o que o futuro me espera. O que eu sei, por hora, é que como 30 is the new black and black is always in, eu pelo menos estou na moda- até a próxima década, eu espero.

Para Juliana Araripe e cia, que encenam brilhantemente algumas questões das mulheres de 30, bem vindas ao clube das blogueiras.

2 comentários:

Mayra disse...

É isso. Acrescentando o fato de que aos 30 anos uns 85% das suas amigas já está casada e/ou com filhos e você, "trintona", também já não está mais na pegada forever de antes... Portanto, anda meio deslocada. E, mesmo assim, um povo insiste em perguntar: "Mas vocé é tão bonita, engraçada, inteligente e blá blá blá...COMO É QUE AINDA NÃO CASOU?". HUMPFT.

Menina#1 disse...

Otimo post
Beijos
Re

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