domingo, 20 de abril de 2008

Quando não dá para errar o país

Não é preciso nem ver o passaporte para entender que o país está errado

Há muitos anos, uma moça que era amiga da minha família foi à Espanha se prostituir. Voltou para o Brasil deportada, muito antes desta confusão toda. Na época, ela me disse que, uma vez no exterior, nunca confie em brasileiros. Não sei por quê, mas eu não só registrei a informação e passei a levar a sério. 

Muitos anos depois foi a minha vez de ir ao exterior. Não, não me prostitui, mas confiei em brasileiros. Fui explorada, humilhada, passada para trás. Claro que isso foi uma única vez, mas passei a ter um certo repúdio preconceituoso a todos que moram fora do Brasil. Brasileiro, para mim, só no Brasil. E é por isso que eu sempre me irrito profundamente quando estou fora do país e brasileiro entra na conversa sem ser chamado. Estes dias, no ônibus, dois brasileiros interromperam minha explicação geográfica sobre o Brasil para dizer que nevava no Sul, do mesmo jeito que neva aqui. Fiquei irritadíssima, claro. Não é porque você entende o que se está dizendo que dará opiniões. No Brasil, se você estas a falar de um assunto, o outro ouve e se cala (normalmente, porque já vi um menino discutir futebol com a Joanna).

Mas ontem não. Tudo porque, pela primeira vez, um brasileiro puxou conversa e falou algo útil. Pela primeira vez! Estava indo ao encontro de uma amiga para fazer compras na rue du Rhône quando ela me ligou para confirmar o encontro. O homem que estava do meu lado falou que o que não faltava em Genève era brasileiro. Não faltava mesmo. E começou a falar do Brasil. A parte mais interessante está a seguir:

-  Amo o Brasil, mas quero viver em Genève por muitos e muitos anos. Mas não sei se vou conseguir viver lá de novo. Passei um mês de férias; no vigésimo dia já queria voltar. 
- Por quê?
- São tantas coisas, todas pequenas, mas que fazem a diferença. Adoro comer salmão, tomar o meu vinho... quando que conseguiria comer salmão e tomar vinho todo dia no Brasil?
- Não sei, talvez nunca. 
- Mas o que mais me incomoda é a falta de educação. Aqui, se alguém esbarra em você já pede desculpas, lá, nem olha na sua cara. Quando cheguei no Brasil, o funcionário da Polícia Federal estava no vôo e já desceu para trabalhar. E desceu gritando: "Passaporte na mão, agora!".
- (...) 
- Se fosse aqui, seria "Bonjour Madames et Monsieurs. Prenez votre passaport, SVP. Merci de votre attencion". E assim que ouvi aquela gritaria toda disse para o meu amigo: "Nós não erramos de país, é o Brasil mesmo!". 

São estas e outras que fazem da pátria amada uma pátria inconfundível. Principalmente com a Suíça.

Um comentário:

Rodrigo disse...

soh vou ser seu amigo quando morar na terra brasilis de novo ?